Olá! :)



sábado, 3 de julho de 2010

O Segredo



Maria era muito feliz.. Todos os dias Maria levantava antes mesmo de o sol nascer. Lavava o rosto inchado, escovava os dentes e ia fazer café. Preparava a refeição das crianças: pão feito por ela mesma e um café meio ralo. Maria prepavara os filhos, se preparava e saia de casa. Deixava-os na escola e pegava o ônibus para a casa de Dona Beatriz. Lá ficava até a hora do almoço; lavava, passava, cozinhava. Saía correndo, buscava a pequena prole na escola, deixava na casa da vizinha e se dirigia à casa da Dona Selma e do Dr. Olavo. Limpava, lavava, passava, dava banho no cachorro, cortava a grama do jardim. Maria então rumava para a Lanchonete do Zé Tião. Limpava, anotava pedidos, servia mesas, lavava pratos. Passava na casa da vizinha, pegava os filhos, lhes dava banho e os colocava para dormir. Maria então lavava, passava, alimentava o gato, trancava as portas, tomava banho, rezava e ia dormir. No dia seguinte, seu dia se repetia. Maria sabia que era feliz- afinal, o que mais poderia ser? Via às vezes, quando a patroa não estava em casa, um pedacinho do jornal na televisão. Era tanto gente que passava fome, que morria, que matava. Mas ela não. Sua vida era melhor do que de qualquer um deles. Tinha comida e um teto. Do que mais alguem necessita para ser feliz? Maria seguia seus dias com esse pensamento, porque pensar que a vida era injusta, que ela trabalhava o dia todo e mal via os filhos enquanto suas patroas faziam viagens e podiam pagar pelas melhores roupas, comidas e escolas não era possível (não era permitido). Maria assim como oitenta porcento da população não poderia se dar ao luxo de pensar. Porque pensar mata, não de tiro, nem de frio, nem de fome, mas de tristeza. E se Maria quisesse se manter viva e de pé, teria que ignorar sua vida, teria que ignorar a tristeza e a fome de esperança.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Uma Carta

Olá,

Por meio desta venho aqui expressar a sua colocação e importância na minha existência.

Nossas Almas estão ligadas de alguma maneira ainda inexplicável. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza e que nem a morte nos separe. Surgiu assim, quando pensei que estava sozinho neste mundo, quando achava que só eu sentia e passava por aquilo, no momento em que não me sentia parte de nada.

Você disse: “Não, você não é único e, por Deus! nem eu o sou!”. E nesse momento me perguntei como podia um estranho compartilhar de sentimentos e percepções tão minhas?

Nos sentamos e falamos sobre o tudo e o nada, rimos e choramos. Eu tinha medo de que você me achasse um tanto quanto estranho, você dizia que eu era a pessoa mais incrível que já tinha conhecido. Você me abraçou bem forte e naquele momento soubemos que dali para adiante tudo seria diferente para nós dois.

Você viu minhas piores caras, conhecia de cor minha expressão irônica. Sabia como eu pensava, sentia como eu sentia.

Eu te ligava para falar dos meus amores, dos meus horrores, do tempo, do medo, do passeio do fim de semana, de coisas do cotidiano, de coisas essenciais. Você me chamava para ir tomar sorvete, pra viajar, pra visitar sua avó, para andar por aí sem rumo e falar das pessoas, para pensar na vida.

Um dia combinamos: “Vamos acampar?”. Estava tudo combinado, em dois dias pegaríamos a estrada, escolheríamos um lugar e montaríamos acampamento. Um dia antes de sairmos te liguei e com frustração dei a notícia de que não poderia ir, pois tinha acordado com febre e dores pelo corpo. Você foi compreensivo (como sempre o era) e disse que poderíamos marcar para o próximo fim de semana. Insisti para que você fosse e se aprovasse o lugar, com certeza eu também aprovaria. Ficamos nesse impasse um bom tempo e por fim consegui te convencer a fazer a viagem.

Fui dormir me sentindo um pouco menos culpado, já que pelo menos você não iria perder o passeio por minha causa. Acordei de manhãzinha com o telefone tocando, era o seu número no identificador de chamada. Atendi e tamanha foi minha surpresa quando vi que a pessoa que falava comigo não era você. Havia muito barulho e foi difícil distinguir a voz que me fez perceber que o nosso acampamento combinado para o próximo fim de semana jamais chegaria.

A estrada estava molhada por causa da chuva que caiu à noite, a curva, dizia o policial, era muito perigosa e acidentes ali eram frequentes. Um carro estava vindo na contramão, você tentou desviar e até conseguiu, mas o sucesso desse ato te fez perder o controle do seu carro, que acabou capotando. Os paramédicos chegaram à conclusão de que sua morte foi rápida e com sorte, indolor.

Pessoas tentavam me acalmar e me abraçavam dizendo que tudo iria ficar bem. Mas eu não queria me acalmar, eu não queria ficar bem, eu queria ficar com você. Eu queria estar naquele carro, desejava ardentemente não ter conseguido te convencer a fazer aquela viagem.

Hoje entendo que sua morte não aconteceu por minha culpa, mas constantemente me acuso por não ter ido com você. Naquele dia uma parte de mim também se foi, uma parte que me faz falta, que ainda me faz chorar por saber que não esta aqui.

Me concentro em pensar que não acabou; que nossos caminhos ainda vão se encontrar, pois nossas Almas permanecem ligadas. Não é o fim, é apenas um pequeno intervalo de nostalgia.

Até um dia que rogo para que não demore a chegar, Amigo!

Com amor e saudade,
Aquele que jamais deixou de pensar no nosso reencontro, Eu






sexta-feira, 30 de abril de 2010

Freedom


Acordou com um sentimento diferente. O ambiente estava mudado. Até mesmo os cheiros se encontravam distintos dos de costume. O sentimento que nutria naquele momento a deixava leve, tão suave quanto a folha da árvore que em dias mais frios iniciam um processo de desprendimento e desapego, se soltando da árvore sutilmente (e há quem diga, até com certa elegância), vão dançando e caindo até chegar ao solo. Sentia-se forte, com opiniões e valores inabaláveis, como se apenas por seu simples desejo coisas pudessem acontecer. Queria levantar da cama e caminhar, andar por aí esbarrando em estranhos, acenando para conhecidos. Tinha vontade de gritar para quem quisesse ouvir que tinhas o mundo em suas mãos e que nada a poderia deter. Desejava escrever, viajar, cantar, abraçar, conhecer, explorar, chorar e rir, tudo incrivelmente ao mesmo tempo. Era como se depois de anos na clausura e escuridão, depois de muito tempo vendada, pudesse finalmente enxergar o universo que a cercava. O Universo era algo que a fascinava, com todos seus elementos, sistemas e mistérios. Adorava mistérios; ficar imaginando o que se esconde por trás de cada sorriso, cada olhar, o que faz as pessoas felizes. Gostava mais dos mistérios sem resposta, porque daí não existiria uma resposta errada e ela poderia imaginar o que quisesse. Naquele dia achou que poderia responder a qualquer pergunta. Não conseguia entender o que a fazia se sentir daquele jeito, mas gostava. O sol nascia, o horizonte começava a clarear , as coisas começavam a tomar forma definida. A grama, as árvores, os pássaros, o lago, o vale, o mundo – o pequeno pedaço do todo que possuía. Sorriu, e de olhos bem abertos agradeceu ao universo. As coisas mais lindas poderiam ser vistas a qualquer momento, bastava prestar atenção no que havia em volta. Coisas boas podem acontecer. Emoções positivas a habitavam naquele dia. Sabia que seus desejos se tornariam fatos. Agora com o sol iluminando o campo por completo,tinha certeza de que seus Sonhos poderiam ser sentidos, visto e tocados. O utópico poderia ser real se assim quisesse. O mundo lhe pertencia, o mundo era ela.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Re-Encontro


Para ela aquele sentimento era indescritível. Ou melhor, era sim. Misturava-se surpresa e ansiedade com alegria e uma pitada de esperança e fulgor. A confusão se fazia presente em sua mente. Vê-lo assim, como se fosse a primeira vez, na verdade era a primeira vez. Era uma situação contraditória, pois sentia como se o conhecesse por toda uma vida, apesar de nunca o ter visto. Não sabia se ele sentia o mesmo, mas os olhos de ambos continuavam a se olhar, e uma força incrível e cativante não os deixava se afastar um do outro. O coração apertava, a alma reconhecia. Meu Deus, por que se sentia assim? Como criança que finalmente ganha o presente de Natal com o qual sempre sonhou. Era outono. Seria esse seu presente adiantado? Tentou se aproximar. Como seria tocá-lo? Sentia uma curiosidade jamais antes sentida. Queria sair correndo e abraçá-lo, mas como poderia fazer isso sem se sentir tola e parecer insana? Ele era um completo estranho. Um estranho que o seu Ser reconheceu, que seus olhos olharam como se fosse familiar, que seus braços queriam agarrar como se fizesse isso há muito tempo. Percebeu então que era apenas um estranho para os costumes vigentes onde vivia, pois para ela, ele parecia tão familiar quanto o seu próprio eu. Ficou ali, naquele instante tão seu, tão deles, se perguntando o que aconteceria a seguir. Tão enfeitiçada estava que por mais que quisesse não conseguia se mover e finalmente perguntar de onde o conhecia. Resolveu então esperá-lo, pois ele também a olhava com certo reconhecimento e confusão. E depois de um minuto que para ela foi como a espera de toda uma vida, ele se aproximou. Estendeu a mão como quem se apresenta com respeito a um desconhecido. Ela, dividida entre a vontade (que mais parecia uma necessidade) de abraçá-lo com todas as suas forças e o receio de que parecesse louca se realmente o fizesse, estendeu sua mão quase trêmula e apertou a dele. Tão logo se uniram já se separaram. Tamanho foi o susto quando ao encostarem suas mãos, um pequeno choque as invadiu, e junto com ele, um misto de calafrios e calor. Será que fora apenas um equívoco? Talvez tivesse sido apenas um aperto de mãos comum. Mas a expressão que seus rostos sustentavam não poderia servir de base para essa afirmação. Não, não fora um simples e cordial comprimento. A taquicardia que se fazia presente em ambos também não era normal. Sorriram. Era o que restava a fazer. Seguindo um impulso ele a chamou para irem a um Café, estava muito frio lá fora. Ela seguiu seus instintos, que dessa vez diziam que deveria aceitar o convite de um estranho. O estabelecimento realmente trazia conforto para ambos, para ambos os corpos, já que suas almas continuavam inquietas. Sentaram-se. Não quiseram nada que o Café pudesse oferecer; naquele momento desejavam apenas a presença um do outro. Ele criou coragem: Rafael. Poliana. -Amor à Primeira Vista.

segunda-feira, 12 de abril de 2010





Passadas duas semanas de total desesperança e tristeza, aqui esta ela, em um processo de isolamento de pensamentos desnecessários e causadores de uma dor maior- a qual não quer e pensa não precisar sentir agora.

Porque por mais que seja ruim, viver na ignorância de certas situações e realidades a atrai e à ela parece muito melhor e mais agradável do que se viver a própria realidade. Se você parar para pensar, pode descobrir que poderia se estar muito melhor do que se encontra e pensar o inverso (que também poderia se estar pior), realmente não ajuda em nada. Porque a grama do vizinho sempre parece mais verde...

Quando pensa macro, se sente pequena demais, quando pensa micro, continua se achando pequena demais. Será que somos realmente do tamanho que sentimos ser?- se pergunta.
Sente necessidade de escrever, sente como se não o fizesse as dores jamais passariam, como se disso dependesse sua melhora. Mas até mesmo escrever como se sente às vezes é difícil; não difícil de colocar em palavras os sentimentos, mas difícil de ler o que escreve depois de pronto e constatar que as coisas estão piores do que pensava. O bom é que  na maioria das vezes a sua melhora pós-desabafo escrito é visível.

Sabe exatamente o que fazer quando se sente assim, sabe por experiência, sabe por intuição, conhece que deve simplesmente se ignorar até que passe, até que volte à rotina e as indagações sejam esquecidas. Queria mesmo era não precisar fingir, não precisar mentir e omitir pra si própria e para os outros; não precisar fingir sorrisos, não precisar de abraços, não ter que fazer piadas das quais ri para não pensar no que a faz chorar. Queria sim. Queria mesmo.

Mas não dá para estar bem sempre, é natural. Sabe que jamais será completamente feliz, ninguém o é. Pode-se ser feliz por uma determinado período, mas o "Feliz para Sempre" com certeza ainda não existe. E realmente não reclama, o que a atormenta é ter consciência disso.

Lê porque gosta, porque acha necessário. Quer se sentir constantemente incluída em alguma coisa. Não sabe o que irá ser, mas acredita que terá sucesso, um dia. 
Coisas boas estão por vir, quem sabe quando?Um dia. Acredita que a Felicidade, ao contrário do que dizia Platão, um dia poderá sim ser alcançada, mas isso, também um dia. Um dia muitas coisas acontecerão e outras deixarão de acontecer. O que deprime ao invés de dar esperança é que tudo se resolverá não hoje, não amanhã, mas sim, em um determinado tempo que desconhece.

Acha que o texto esta muito filosófico e impróprio para a internet, entretanto continua escrevendo.
Quem sabe ela aprende que certas coisas não devem ser expressadas para não se criar certezas e alimentar incertezas? Quem sabe um dia...


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